Ministro criticou possíveis retaliações comerciais dos EUA e defendeu o diálogo: “sempre haverá o cidadão para dar a última palavra”
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante reunião no Palácio do Planalto, em Brasília 17/09/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Horas antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de novas tarifas sobre produtos importados, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou esta quarta-feira (2) como um “dia particular” para o cenário internacional.
“Não é fácil o momento que estamos vivendo, é um desafio global muito interessante, todo o mundo está muito apreensivo, o dia de hoje é muito particular o que o mundo está vivendo. Outros virão com essa mesma intensidade, mas quanto mais nós tivermos clareza de que sim, podemos divergir, colocar as nossas opiniões a serviço do país, de que sempre haverá o cidadão para dar a última palavra”, disse o ministro durante a cerimônia em comemoração aos 60 anos do Banco Central, de acordo com o jornal O Globo.
O comentário antecedeu o aguardado pronunciamento de Trump, que prometeu anunciar ainda hoje a adoção do que chamou de “tarifas recíprocas”, parte de uma estratégia comercial apelidada de “Dia da Libertação”. A nova rodada de impostos de importação pretende atingir diversos produtos estrangeiros, podendo incluir bens brasileiros.
As tarifas previstas podem variar entre 10% e 25% e incidir de forma linear sobre todos os produtos de determinados países. A medida coloca em risco a competitividade de exportações brasileiras nos EUA, como suco de laranja, aeronaves da Embraer, além de aço e alumínio, que já enfrentam taxação de 25% e podem sofrer novas elevações.
Na véspera, Haddad já havia criticado a possibilidade de sanções ao Brasil, classificando como “injustificável” qualquer retaliação por parte do governo Trump. “Então nos causaria uma certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificável, uma vez que estamos com uma mesa de negociação desde sempre com aquele país, justamente para que a nossa cooperação seja cada vez mais forte”, afirmou.
A tensão entre os dois países se intensificou após a publicação de um relatório do governo americano que apontou o etanol brasileiro como exemplo de desequilíbrio comercial, argumentando que os Estados Unidos enfrentam barreiras maiores para exportar o produto ao Brasil do que o inverso.
O documento também traz outras queixas semelhantes, sinalizando que o Brasil entrou definitivamente no radar das medidas protecionistas da Casa Branca.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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