Brooke Rollins visitará o Brasil nos próximos seis meses para "responsabilizar os parceiros comerciais por sua parte nos acordos"
Secretária do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Brooke Rollins (Foto: Andrew Kelly/Reuters)
A secretária do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Brooke Rollins, visitará o Brasil nos próximos seis meses com o objetivo de discutir as relações comerciais no setor agrícola. A informação, segundo a Folha de S.Paulo, consta em uma comunicação oficial enviada pela embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, ao Ministério das Relações Exteriores, e posteriormente encaminhada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na segunda-feira (31).
Rollins, nomeada para o cargo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é conhecida por sua postura “linha-dura” nas negociações comerciais e afirmou que seu objetivo é “responsabilizar os parceiros comerciais por sua parte nos acordos”. A declaração foi registrada em correspondência do USDA enviada ao governo brasileiro.
No ofício, de acordo com a reportagem, a secretária aponta que o déficit comercial agrícola dos EUA alcança aproximadamente US$ 50 bilhões e atribui parte do problema à “pouca ou nenhuma ação do governo anterior” para revertê-lo. Especificamente sobre o Brasil, Rollins destacou que os EUA registram um déficit de US$ 7 bilhões nas trocas agrícolas com o país e que seu departamento está comprometido em ampliar o acesso a mercados globais.
“Tudo está sobre a mesa para obter mais mercados”, declarou Rollins, enfatizando que a prioridade do USDA é garantir prosperidade aos produtores agrícolas estadunidenses. Ela também adiantou que sua agenda internacional incluirá países considerados estratégicos para a administração Trump, como Índia, Japão, Reino Unido, Vietnã e Peru, além de missões comerciais à Costa do Marfim, Hong Kong, México, República Dominicana e Taiwan.
A vinda da secretária ocorre em um momento de tensão comercial crescente. Um dia antes de Donald Trump anunciar novas tarifas globais — incluindo contra o Brasil — o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a bancada ruralista se uniram em apoio ao Projeto de Lei 2088/2023, que impõe exigências de reciprocidade ambiental e comercial nas relações exteriores do Brasil.
Relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), o texto foi aprovado por unanimidade na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, com 16 votos a favor. No plenário, o projeto também recebeu apoio unânime: 70 votos a zero. O PL agora segue para votação em regime de urgência na Câmara dos Deputados. Um pedido para que a matéria fosse incluída na pauta desta quarta-feira (2) foi encaminhado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que não garantiu a apreciação imediata, mas indicou que a votação poderá ocorrer ainda nesta semana.
Originalmente voltado à resposta brasileira às exigências ambientais da União Europeia, o texto passou a abranger qualquer país ou bloco que adote medidas unilaterais prejudiciais à competitividade de bens brasileiros. A proposta permite ao Brasil aplicar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais, inclusive em acordos de propriedade intelectual.
A atuação da Câmara de Comércio Exterior (Camex) será reforçada, com protagonismo técnico na análise e resposta a práticas comerciais consideradas injustificadas. Diferentemente de modelos automáticos, o projeto prevê a abertura de consultas diplomáticas, coordenadas pelo Itamaraty, como etapa inicial para a resolução dos impasses.
Além disso, o texto autoriza o governo brasileiro a suspender concessões comerciais e investimentos, conferindo mais flexibilidade na defesa dos interesses nacionais em um cenário internacional cada vez mais competitivo e marcado por medidas protecionistas disfarçadas sob o discurso da sustentabilidade.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
Nenhum comentário:
Postar um comentário