segunda-feira, 31 de março de 2025

VÍDEO – Alta dos juros impede investimento no Brasil, diz presidente do Carrefour

 

Stephane Maquaire, presidente do Carrefour Brasil, em entrevista à Folha. Foto: Bruno Santos/Folhapress
O francês Stéphane Maquaire, presidente do Carrefour Brasil, reclamou dos juros elevados no país. Em entrevista à Folha, o executivo revelou que a alta da Selic, de 5,25% quando assumiu a empresa em 2021 para os atuais 14,25%, consome mais de R$ 2 bilhões anuais em pagamento de juros, limitando a expansão da rede.

“São cerca de 30 lojas do Atacadão que deixamos de abrir por ano por causa desse custo”, calculou.

Maquaire mostrou-se incomodado com o cenário econômico implementado pelo ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Enquanto as vendas brutas do grupo cresceram 48% nos últimos três anos, alcançando R$ 120,6 bilhões, o lucro líquido permaneceu estagnado em R$ 2,4 bilhões, pressionado justamente pelos encargos financeiros.

A dívida líquida da empresa aumentou significativamente devido à necessidade de antecipar recebíveis com taxas mais altas. A estratégia do grupo tem sido focar no Atacadão, que hoje responde por 70% das vendas e pode chegar a 80% até 2030.

🎦 Lideranças do Varejo | ‘Poderia abrir muitas lojas Atacadão, mas estou pagando juros’, diz presidente do Carrefour. Stephane Maquaire reclama de Selic alta que limita expansão, mas diz que grupo francês terá cada vez mais cara de atacarejo no país 📲📰 https://t.co/XMG5e9p4dz pic.twitter.com/fj6NDtKUQP


Em 2024, a rede fechou 214 lojas (principalmente supermercados) e abriu apenas 33 novas unidades, convertendo hipermercados para o formato atacarejo.

“Uma loja do Atacadão custa mais ou menos R$ 60 milhões, R$ 70 milhões, e gera 250 postos de trabalho. São tantas lojas que não vamos abrir por termos que pagar juros mais altos”, explicou.

Maquaire também falou como a alta do juros afeta diretamente os clientes da rede de supermercados. Para ele, “o brasileiro tem mais restrição para consumir”, devido à essa política monetária.

Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário