segunda-feira, 20 de maio de 2024

TSE não cogita adiamento das eleições, como quer Eduardo Leite

 

Corte Eleitoral diz que existem condições para realizar o pleito e que um eventual adiamento só pode ocorrer por meio de emenda constitucional

Eduardo Leite
Eduardo Leite (Foto: Reprodução/PSDB)

 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não considera, no momento, adiar as eleições municipais, apesar da solicitação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Leite, em entrevista ao jornal O Globo nesta segunda-feira (20), argumentou que a troca de governos municipais durante o processo de recuperação do estado, afetado por enchentes, pode complicar a reconstrução. "O Estado estará em reconstrução, ainda em momentos incipientes, em que trocas de governos municipais podem atrapalhar esse processo. O próprio debate eleitoral pode acabar dificultando a recuperação", disse o governador.

Membros da Corte ouvidos pela coluna da jornalista Andréia Sadi, do G1, dizem que a questão do adiamento ainda não chegou ao TSE e que “essa é uma discussão que passa necessariamente pelo Congresso Nacional, já que o adiamento só pode ocorrer mediante emenda constitucional”.

Mesmo com os danos causados pelos alagamentos, o TSE possui uma reserva técnica de urnas eletrônicas para substituir as danificadas e garantir a realização das eleições. Informações recentes indicam que, das cerca de 15 mil urnas armazenadas no depósito de Porto Alegre, apenas cinco mil serão necessárias para o pleito em outubro. Muitas urnas estão guardadas em prateleiras altas, o que pode ter evitado danos significativos. Contudo, a extensão dos estragos só poderá ser avaliada quando as águas recuarem.

As eleições municipais já foram adiadas anteriormente, em 2020, devido à pandemia de coronavírus. Na ocasião, uma emenda constitucional foi aprovada pelo Congresso em julho daquele ano, adiando as eleições em um mês e meio. Apesar disso, a data de posse dos eleitos foi mantida para o dia 1 de janeiro de 2021.

Fonte: Brasil 247 com informações da coluna da jornalista Andréia Sadi, do G1

 

"Lula é muito corajoso, e uma pessoa importante, porque ele luta pela paz", diz o cineasta Oliver Stone

 

O cineasta, vencedor de três Oscar, dirigiu o documentário "Lula", sobre a vida do presidente. Filme foi aclamado foi aclamado durante sua exibição no Festival de Cannes

Cena do filme 'Lula', de Oliver Stone, exibido em sessão especial no Festival de Cannes de 2024
Cena do filme 'Lula', de Oliver Stone, exibido em sessão especial no Festival de Cannes de 2024 (Foto: Divulgação)

 O cineasta e documentarista Oliver Stone, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "é muito corajoso, e uma pessoa importante, porque ele luta pela paz", destacando tanto a política externa quanto às políticas sociais de Lula. A declaração, segundo a Folha de S.Paulo, foi feita durante uma conversa que Stone manteve com jornalistas acerca do documentário "Lula", dirigido por ele e que foi aclamado durante sua exibição, na noite deste domingo (19), no Festival de Cannes. Vencedor do Oscar pelo roteiro do filme "O Expresso da Meia-Noite", e pelas películas "Platoon" e "Nascido em 4 de Julho", Stone é considerado um dos diretores mais respeitados da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. 

Na entrevista, o co-diretor do documentário também expressou sua admiração por Lula: "É uma pessoa na qual vemos força, alguém pragmático, e por isso o admiro mais do que ao Bernie Sanders, por exemplo", disse Wilson. O documentário foca principalmente na prisão política  em abril de 2018, no contexto da Lava Jato, e cobre eventos até as últimas eleições presidenciais, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro (PL). O filme também revisita as origens nordestinas e sindicais de Lula, além de abordar o golpe parlamentar que resultou no afastamento da presidente Dilma Rousseff, em 2016. 

Stone, que também é conhecido por suas obras sobre líderes latino-americanos como Fidel Castro e Hugo Chávez, aproveita "Lula" para criticar a política externa americana e seu impacto na América Latina. ""Nós, americanos, somos valentões. Valentões e arrogantes, e eu não podia ignorar isso neste documentário. Esses caras acham que podem interferir na política de todo mundo, e ninguém fala disso. São uns filhos da p***", afirmou Stone.

Stone e Wilson sugerem no documentário uma possível manipulação americana na queda de Lula e outros líderes de esquerda na América do Sul, relacionando o apoio dos Estados Unidos ao golpe de 1964 com a Lava Jato. "Sergio Moro e vários políticos de seu partido estavam indo e voltando dos Estados Unidos na época. Não é estranho?", questionou.

O documentário despertou grande interesse, com sessões esgotadas e aplausos calorosos até mesmo dos funcionários do festival, um feito incomum. Stone, contudo, ressaltou que o filme é feito a partir da perspectiva estadunidense e disse que Lula ainda não assistiu ao documentário, mas que enviará uma cópia ao presidente em breve.

Apesar de cautelosos ao afirmar que ainda é cedo para avaliar se Lula alcançou seu objetivo em seu terceiro mandato, Stone e Wilson reconhecem os esforços do presidente na preservação da Amazônia mas alertam para o aumento do desmatamento no Cerrado e as dificuldades enfrentadas por Lula na transição energética.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

 

BNDES discute com Fazenda linha de crédito para reconstrução do RS, diz diretor

 

Segundo o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, a linha especial será voltada para empresas e municípios e as condições ainda estão sendo definidas

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (Foto: Reuteres/Sergio Moraes)

Reuters - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está discutindo com o Ministério da Fazenda a criação de uma linha de crédito especial para a reconstrução do Rio Grande do Sul, disse nesta segunda-feira o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa.

Segundo o executivo, a linha especial será voltada para empresas e municípios e as condições ainda estão sendo definidas. Não há um prazo para quando a linha estará pronta.

Fonte: Brasil 247 com Reuters

Lula faz reunião ministerial e pede foco no escoamento das cheias e na reconstrução de hospitais e escolas no RS

 

Presidente se reuniu com ministros na manhã desta segunda-feira (20)

Lula sobrevoa áreas afetadas por enchentes no Rio Grande do Sul
Lula sobrevoa áreas afetadas por enchentes no Rio Grande do Sul (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma reunião com ministros na manhã desta segunda-feira (20) para tratar da coordenação de ações de ajuda ao Rio Grande do Sul. No encontro, o presidente pediu foco no envio de bombas para escoar a água que ainda inunda cidades gaúchas, além da reconstrução de escolas em locais mais seguros e a reconstrução de hospitais que foram contaminados com a água poluída dos rios.

Segundo a jornalista Camila Bomfim, do G1, os ministros chegaram ao entendimento de que é preciso se comunicar com clareza e ajudar o estado a retomar suas atividades aos poucos. O presidente enfatizou que anúncios só podem ser feitos após a estipulação de prazos e que devem ser claros, para não deixar dúvidas a população. “Cada ministro que for falar, e cada ministra, tentar falar sempre a mesma coisa que está acontecendo. Não ficar dizendo coisa que não está acontecendo ou ficar inventando coisas que ainda não discutiu", disse Lula.

Participaram da reunião os ministros Rui Costa, da Casa Civil, Camilo Santana, da Educação, Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional, Jader Filho, das Cidades, e Paulo Pimenta, da Secretaria Extraordinária para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul. Também participaram o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, e o secretário Nacional de Assistência Social (MDS), André Quintão.

Fonte: Brasil 247 com informações da jornalista Camila Bomfim, do G1

Dino rejeita liminar e mantém decisão que afastou desembargadores da Lava Jato

 

Os desembargadores haviam recorrido ao STF, argumentando que a medida foi "excessiva e inadequada"

Flávio Dino
Flávio Dino (Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF)

 O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve nesta segunda-feira (20)a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que determinou o afastamento dos desembargadores Loraci Flores de Lima e Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Na decisão, o ministro afirmou que não encontrou "a existência de manifesta ilegalidade na decisão cautelar proferida no âmbito administrativo pelo CNJ”.  Dino também destacou que o afastamento está relacionado a eventos recentes e à "conduta funcional dos impetrantes".

O Conselho afastou os desembargadores do TRF-4 em abril, como parte de uma reclamação disciplinar aberta de ofício pelo corregedor do CNJ, Luis Felipe Salomão, em setembro do ano passado. Segundo Salomão, os dois magistrados teriam descumprido uma ordem do Supremo ao julgarem as exceções de suspeição do juiz Eduardo Appio.

Os desembargadores, então, recorreram ao STF, argumentando que a medida foi "excessiva e inadequada". Além de Loraci Flores e Carlos Eduardo Thompson, a decisão de Salomão também afastou os juízes Gabriela Hardt e Danilo Pereira, que trabalharam na operação Lava Jato.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha

 

Batata, banana, laranja e melancia estão mais baratas, segundo a Conab


Cenário é de preço menor também para a banana


Preços de produtos como batata, banana, laranja e melancia estão em queda nas centrais de abastecimento do país (Ceasas), segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (20) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Tendo por base preços cobrados no atacado, o 5º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) mostra que o preço da batata caiu pelo segundo mês consecutivo, na comparação com os meses de março e abril, mesmo com a menor oferta do produto no mercado.

De acordo com a Conab, isso ocorreu em resposta à queda de demanda pela batata. A maior redução registrada foi observada na Conab de Santa Catarina, onde houve uma queda de 25,1% em relação a março.

A expectativa da Companhia é de que esse comportamento pode não se repetir em maio. “No início deste mês, a média dos preços nas Ceasas está acima da praticada em abril”, informou a Conab ao ressaltar que pode estar iniciando um “período de entressafra do tubérculo, uma vez que há uma tendência de o pico da safra das águas ter passado, e iniciado, por outro lado, a safra da seca/inverno, que ainda não se apresenta suficiente forte para pressionar a cotações para baixo”.

Banana, laranja e melancia

O cenário é de preço menor também para a banana, em função do aumento da oferta da fruta no país, em especial com relação à variedade nanica do Vale do Ribeira, em São Paulo, do norte mineiro e do norte catarinense. “Esse incremento na quantidade do produto também pressionou os preços da banana-prata”, segundo a Conab ao descrever como “mais favorável que a batata” as projeções futuras para a banana.

“Há perspectiva da chegada de boa safra em meados de junho, as cotações devem diminuir ainda mais, tanto para a variedade prata quanto nanica”, detalhou a companhia.

A redução de preços da laranja e da melancia está relacionada à questão climática, uma vez que se costuma observar que a demanda pelas duas frutas costuma cair nos dias de frio, o que acaba por pressionar para baixo as contações.

“Já as demais frutas e hortaliças analisadas no Boletim Prohort ficaram mais caras no último mês. No caso da alface, as chuvas registradas nas regiões produtoras até o meio do mês passado impactaram na oferta da folhosa e elevaram os preços. Para a cenoura, a alta interrompe dois meses de queda nas cotações praticadas. Com o menor envio da raiz a partir de Minas Gerais, principal abastecedor, ocorre a natural pressão de demanda sobre produções de outros estados”, informou a companhia.

Cebola e tomate

A cebola tem apresentado alta de preços desde outubro do ano passado, fora o mês de janeiro, quando foi verificada queda de preços. Com o término da safra em Santa Catarina, a partir de maio o abastecimento passou a ter como origem os estados de Goiás, Minas Gerais e da Bahia. A Conab explica que essa descentralização de oferta costuma resultar em queda de preço, uma vez que os gastos com transporte acabam ficando mais baixos.

O aumento na quantidade de tomate enviada aos atacados do país no mês de abril, na comparação com o mês anterior, não foi suficiente para reduzir preços. Isso também se explica, a exemplo da cebola, por a produção se encontrar na entressafra. Além disso, a safra de verão ainda não foi compensada, neste início da safra de inverno.

Frutas

No caso das frutas, o boletim registrou alta nos preços da maçã e do mamão. “A colheita da gala e seu armazenamento nas câmaras frias foram finalizados, com um menor volume colhido e, por isso, menores estoques acumulados”, informa a Conab.

“Já a maçã fuji teve colheita lenta por causa das chuvas na Região Sul que castigaram os pomares em março e abril, principalmente no estado gaúcho”. No caso do mamão, houve queda de oferta nas áreas produtoras da Região Sudeste

Comercialização

A Conab apresentou também um balanço com os dados de comercialização de frutas e hortaliças em 2023, nas 57 Ceasas do país.

No ano, o setor movimentou 17,4 milhões de toneladas de produtos hortigranjeiros, o que resultou em um total de R$ 66,7 bilhões comercializados. “O resultado representa um aumento de 4,73% no quantitativo comercializado e de 9,6% no valor transacionado, em comparação a mesma base de dados de 2022”, informou a Conab.

As Ceasas do Sul foram as únicas que apresentaram redução no volume comercializado (-4,94%) e no valor transacionado (-1%) na comparação com 2022. De acordo com a companhia, a queda se deve aos efeitos do El Niño na região e ao excesso de chuvas. As demais regiões apresentaram aumento tanto na quantidade comercializada como no valor transacionado.

Fonte: Agência Brasil

Novos voluntários da Força Nacional do SUS chegam ao Rio Grande do Sul


Com reforço, serviço terá 202 profissionais atuando no estado


A partir desta segunda-feira (20), novos voluntários da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) chegam ao Rio Grande do Sul. No início de maio, a equipe contava com 100 profissionais. Com o reforço, o número chegará a 202.

A medida, de acordo com o governo federal, vai permitir que equipes volantes, com médicos e enfermeiros, atuem simultaneamente em dez municípios classificados como prioritários.

Atendimentos

De acordo com o Ministério da Saúde, em 15 dias, a Força Nacional do SUS ultrapassou 3,5 mil atendimentos no Rio Grande do Sul, sendo 2.041 deles apenas no Hospital de Campanha de Canoas.

A unidade de Porto Alegre contabilizou 503 atendimentos enquanto a estrutura de São Leopoldo, a mais recente a iniciar operações, acumula 47 atendimentos.

As equipes volantes, segundo a pasta, atenderam 887 pessoas. Houve, no acumulado, 56 remoções aéreas e 120 atendimentos psicossociais.

Dados do Comitê de Operações Emergenciais (COE) para o Rio Grande do Sul apontam que 25% dos atendimentos em saúde no estado são relacionadas a doenças respiratórias, enquanto 7% são de doenças diarreicas.

Ampliação da rede

O município de Novo Hamburgo, distante 78 quilômetros de Porto Alegre, deve receber o quarto hospital de campanha. A nova estrutura terá seis médicos e três enfermeiros, além de técnicos de enfermagem. A unidade, segundo o ministério, receberá pacientes 24 horas por dia e tem capacidade para entre 150 e 200 atendimentos diários.

“Nesta semana, será iniciada a montagem e o início do funcionamento será divulgado nos próximos dias”, destacou a pasta.

Fonte: Agência Brasil

RS: cidades do Vale do Taquari contabilizam estragos e repensam futuro

 Plano diretor de dezenas de municípios devem ser revistos

Em apenas oito meses, três enchentes históricas arruinaram cidades inteiras da região do Vale do Taquari, que abrange dezenas de municípios na região central do Rio Grande do Sul, com forte presença da agricultura familiar e uma agroindústria até então pujante.

O cenário que se vê após a catástrofe mais recente é o de uma zona de guerra, com pontes destruídas, casas em ruínas, entulho e lama acumulados por todos os lados, e a população abalada. A tragédia no estado começou no final de abril e as cheias dos rios afetaram praticamente todos os municípios gaúchos.

A reportagem da Agência Brasil percorreu, no domingo (19), parte do Vale onde ainda há bloqueios e restrições de acesso a cidades como Roca Sales e Arroio do Meio, que estão entre as mais devastadas. Até pouco mais de uma semana atrás, nem mesmo as rodovias importantes, que conectam a capital ao interior, como a BR-386, estavam totalmente liberadas, devido a inundações na pista.

Uma das cenas que viralizou na internet, durante os dias trágicos de cheia, mostrava justamente a ponte da rodovia federal sobre o Rio Taquari, na entrada de Lajeado, praticamente coberta pela água e o caudaloso rio transbordando pelas margens encobrindo fábricas e lojas, incluindo uma unidade da rede Havan e sua icônica réplica da estátua da Liberdade.

Duas semanas depois, as marcas da força da natureza seguem visíveis, com o parapeito de concreto da ponte repleto de galhos e os barrancos às margens do rio com árvores grandes mortas, arrancadas desde a raiz. Uma fábrica de vidros que ficava próxima à ponte, também às margens da rodovia, anunciou pelas redes sociais que mudará de endereço, após ser destruída pela correnteza do rio.

Um pouco mais ao norte de Lajeado, na rodovia que margeia o Taquari, grande parte das casas da área rural está destruída. "Essa enchente de maio foi muito acima do que já tínhamos visto no passado. Em setembro, ela esteve 2,20 metros acima da maior cheia da história, mas agora, no início do mês, ela superou em mais 2 metros a cheia de setembro. O rio subiu 24 metros acima do seu leito normal", relata Sandro Herrmann, prefeito de Colinas, uma pequena cidade às margens do rio que dá nome ao vale. Somente nesse município, foram mais de 300 casas e 1,4 mil pessoas atingidas diretamente, quase 60% dos pouco mais de 2,5 mil habitantes.

"Essas cheias mostraram que o plano diretor existente não é suficiente e agora, com as novas cotas [de inundação], a cidade vai precisar se reformular e se reorganizar em lugares diferentes. Não é só a população ribeirinha que mora nas cotas de enchentes, mas em áreas de encostas de morros também, onde tivemos 30 famílias que sofreram com deslizamentos", aponta.

Adaptação e mudança

Não muito longe dali, um outro ponto de destruição segue causando transtornos a moradores e trabalhadores da região. Levada pela correnteza do Rio Forqueta, afluente do Taquari, a ponte da rodovia estadual RS-130, entre Lajeado e Arroio do Meio, se tornou um pedaço de concreto caído na ribanceira do rio.

Desde o último dia 15 de maio, o isolamento deu lugar a uma travessia exclusiva para pedestres, montada pelo Batalhão de Engenharia do Exército.

"Eu trabalho em Arroio do Meio, mas eu atravesso aqui porque como a gente não tem mais acesso, não vem mais mercadoria [para Arroio] e daí a gente atravessa para vir pegar suplemento e voltar para lá, né?", relata a vendedora Simone Feil.

Centenas de trabalhadores que vivem em uma cidade, mas trabalham na outra, agora precisam chegar por transporte até um dos lados do rio e atravessar a "passadeira" de pedestres – como é chamada a travessia improvisada com uma passarela de madeira sobre botes.

Lajeado (RS), 19/05/2024 – CHUVAS RS- PONTE FLUTUANTE - Centenas de pessoas estão passando diariamente por uma passarela flutuante que liga as cidades de Lajeado a Arroio do Meio. A ponte que atravessava o rio Taquari levando as pessoas de Lajeado até Arroio de Meio desabou com a cheia do rio, deviado às últimas fortes chuvas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Centenas de pessoas cruzam diariamente o rio Forqueta por uma passarela flutuante que liga Lajeado a Arroio do Meio – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O fluxo de pessoas atravessando de um lado para outro é intenso. Não há números oficiais, mas em pouco menos de uma hora de presença da reportagem no local, foram centenas de pessoas. O procedimento é organizado por militares do Exército. É obrigatório atravessar com coletes salva-vidas.

Como a passarela é estreita, de "mão única", os grupos de cada margem são liberados de forma alternada. Pessoas idosas, com mobilidade reduzida e crianças têm ainda mais dificuldade, já que a travessia exige que se desça pelo barranco íngreme escorregadio, encharcado pela chuva.

A jovem estudante Letícia Elegeda era uma das pessoas que cruzava a passarela vinda de Arroio do Meio, carregando duas malas grandes, mochila e caixa. "Eu decidi sair da cidade, tenho 20 anos, sou muito nova. E a cidade foi bem perdida, os comércios pequenos [afetados]. Os bairros baixos, que ficavam perto do rio, não existem mais", conta sobre a cidade onde cresceu e viveu.

Letícia diz que, na enchente de setembro do ano passado, que até então tinha sido a pior da história, ela e os pais foram atingidos e se mudaram para um bairro mais alto na expectativa de ficarem protegidos, mas o rio os alcançou novamente. Foi tudo muito rápido. Letícia e os pais tiveram poucas horas para pegar roupas e alguns equipamentos de trabalho e acamparam na casa de vizinhos.

"A gente achou que não ia pegar em toda a nossa casa, mas no fim tampou e a gente foi para o para o vizinho de cima. E aí, eram umas 5h da manhã, todo mundo acordou já com água no pátio do vizinho. Daí a gente foi para outros vizinhos mais de cima, a gente estava se ilhando no próprio bairro. No dia seguinte, graças a Deus, o rio parou de subir, mas a gente estava com medo e nos abrigamos por alguns dias em uma creche em construção. Foi um pesadelo", conta Letícia que agora vai morar na cidade vizinha de Venâncio Aires, também na região do Vale do Taquari, mas longe das inundações.

No último sábado (18), em visita ao Vale do Taquari, o governador Eduardo Leite anunciou a construção de um nova ponte entre Lejeado e Arroio do Meio, que deve custar cerca de R$ 14 milhões e levar mais de 180 dias para ser erguida. Enquanto isso, uma segunda passarela de pedestres deverá ser instalada no local para assegurar travessias simultâneas entre um lado e outro.  

Preocupação econômica

O estudante Leonardo Friedrich conta que as enchentes deixaram um rastro de destruição em sua cidade natal, Arroio do Meio, e que ele evita até ver os vídeos que circularam nas redes sociais.

"O relato que a gente tem é que não tem mais nada. Hoje, eu moro em Lajeado, mas os vídeos que eu menos vi foram os de Arroio do Meio, é o lugar que tu conhece, e ver tudo destruído é complicado. Amigos que foram atingidos eu tenho em todas as cidades próximas, e todos falam a mesma coisa: que lugares onde a água nunca tinha chegado, desta vez cobriu o teto".

A preocupação agora é com o futuro econômico de toda uma região. "A gente pensa como as empresas vão conseguir se manter. Vão ter que remanejar bairros, por exemplo, o centro de Arroio do Meio eu não sei se poderá ficar ali mais".

"Não tem quem não fique abalado. Se a pessoa não pegou água, ela vai se desestruturar de outras formas, a gente vê as pessoas sofrendo", diz a fisioterapeuta Mariana Cásper, namorada de Leonardo. "Moradia, saneamento básico, acesso. É difícil pensar no que resolver primeiro, no que dar mais atenção, é tudo muito complexo", acrescenta.

colinas (RS), 19/05/2024 – CHUVAS RS- Destruição -  O rio Taquari subiu 24 metros nos últimos dias causando destruição na pequena cidade de Colinas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Rio Taquari subiu 24 metros nos últimos dias, causando destruição na pequena cidade de Colinas – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Para o prefeito de Colinas, Sandro Hermann, o futuro econômico do município que ele governo é incerto, já que comércios e indústrias locais ainda estavam se recuperando das cheias de setembro.

"A gente não sabe como as empresas vão suportar, porque são negócios que foram atingidos duas, três vezes já por cheias e perderam todos os seus estoques, perderam todas os seus equipamentos e nós ainda não conseguimos resolver a questão dos financiamentos para as empresas da cheia de setembro. Faz nove meses, então é difícil para o empreendedor buscar forças para retomada da sua indústria, comércio ou serviço", lamenta Herrmann.

Ele espera que o apoio chegue mais rápido desta vez. Em todo o estado, cerca de 700 mil micro e pequenas empresas foram diretamente afetadas pelas enchentes. Na área agrícola do Vale do Taquari, muitas propriedades rurais foram completamente abandonadas. "As pessoas não querem mais voltar, essa enchente arrasou o emocional das pessoas", revela o gestor.

União comunitária

Colinas (RS), 19/05/2024 – CHUVAS RS- Colinas (RS), CHUVAS RS- DONATIVOS -  Igreja Evangélica Luterana, recebe doações para os atingidos na cidade de Colinas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

Igreja Evangélica Luterana de Colinas – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

Na pequena cidade de Colinas, a Igreja Evangélica Luterana se tornou um ponto de distribuição de donativos, como alimentos, roupas, material de limpeza, cobertores, colchões e água, que vieram de Taió, em Santa Catarina. As pessoas só precisam chegar e pegar o que quiserem. Parte das doações é para crianças, vinda da escola Leopoldo Jacobsen, também do município catarinense.

O presidente da comunidade luterana Corvos e Colina é Marcos Roberto, que teve o próprio sítio atingido pela água. "Consegui salvar meus animais, passei a noite inteira em cima da água com meu barco. Tivemos que morar na igreja durante 5 dias", descreve.

Fonte: Agência Brasil








Chuvas em Santa Catarina obrigam 925 pessoas a abandonar casas


Pelo menos 24 cidades foram afetadas pelo mau tempo


As fortes chuvas que atingiram Santa Catarina a partir da última sexta-feira (17) causaram transtornos em ao menos 24 cidades do estado. Até o fim da tarde desse domingo (19), os municípios já contabilizavam 117 pessoas desalojadas e 654 desabrigadas, totalizando 771 deslocados pelas inundações e deslizamentos, número que sobe automaticamente para 925 afetados se somados os 154 desalojados pelas chuvas em São João do Sul entre os dias 11 e 13 de maio.  

Cidade mais atingida, Rio do Sul, no Vale do Itajaí, registrava 483 desabrigados até ontem. No município, o nível do Rio Itajaí Açu atingiu 8,97 metros de profundidade, chegando a transbordar e causar enchentes em alguns bairros. No município também houve pontos de alagamento.

Segundo a Defesa Civil de Rio do Sul, o volume de chuvas que atingiu a cidade no último sábado é o maior registrado desde julho de 2016, quando foi inaugurado o sensor que mede os níveis do rio e de precipitação pluviométrica. Os estragos motivaram a prefeitura a decretar situação de emergência municipal.

“O volume que caiu foi muito acima do que se previa anteriormente, que variava entre 80 e 120 milímetros entre sexta-feira e sábado. Foram 152,2 milímetros de chuva, superando o então recorde que foi em 4 de maio de 2022, com 99,8 milímetros”, informou a Defesa Civil, em nota em que calcula que, nos últimos dias, o acumulado das chuvas chegou a 167 milímetros.

Além de Rio do Sul, outras sete cidades catarinenses que enfrentam as consequências das chuvas decretaram situação de emergência. São elas Araranguá, Balneário Gaivota, Jacinto Machado, Maracajá, Passo de Torres, São João do Sul e Sombrio.

Estabilização

Ao longo do domingo, a chuva foi gradualmente diminuindo nas principais áreas atingidas, mas uma massa de ar frio manteve as temperaturas baixas em boa parte de Santa Catarina. Segundo a Defesa Civil estadual, as condições devem continuar se estabilizando a partir de hoje (20), com uma moderada alta na temperatura a partir da tarde. Contudo, há risco moderado para ocorrências associadas à agitação marítima, com possíveis rajadas de vento de até 50 km/h atingindo o litoral sul e a Grande Florianópolis, deixando o mar agitado.

Amanhã (21), uma nova frente fria atinge o estado vizinho - Rio Grande do Sul - podendo causar pancadas de chuva na divisa com Santa Catarina, principalmente na região Grande Oeste.

Fonte: Agência Brasil 

Em um ano, senador gasta combustível suficiente para dar 5 voltas na Terra

 

O senador Alexandre Giordano (MDB). Foto: reprodução

O senador paulista Alexandre Giordano (MDB) usou, nos últimos 12 meses, R$ 145,4 mil da cota parlamentar do Senado para abastecer quase 25 mil litros de combustível em postos de gasolina de São Paulo. O volume seria suficiente para dar cinco voltas ao redor da Terra ou cruzar o Brasil do Oiapoque ao Chuí 45 vezes.

O levantamento foi realizado pelo Metrópoles a partir da prestação de contas do parlamentar no Portal da Transparência do Senado. Considerando o preço médio do litro da gasolina, que estava em R$ 5,87 na segunda semana de maio, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), e um consumo médio de 10 km por litro, os gastos foram distribuídos por 21 postos de gasolina diferentes.

A maior parte, R$ 69 mil, foi gasta no Auto Posto Mirante, na zona norte de São Paulo, onde Giordano tem sua base eleitoral. Outros R$ 66 mil foram destinados ao Auto Posto Irmãos Miguel, localizado em Morungaba, a cerca de 480 quilômetros da capital.

Os gastos do senador com gasolina, financiados pelo Senado, resultaram em uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que encaminhou a investigação à Procuradoria-Geral da República (PGR) devido ao foro privilegiado de Giordano no Supremo Tribunal Federal (STF).

Senador gasta com gasolina o suficiente para dar 5 voltas na Terra | Metrópoles
Alexandre Giordano. Foto: reprodução

A representação destacou que o senador apresentou notas fiscais do Auto Posto Mirante nos valores de R$ 3.940,78, em 19 de dezembro de 2022, e R$ 1.691,22, em 2 de janeiro de 2023. Esses gastos em um único dia correspondem a 507,61 litros de gasolina e 188,67 litros de diesel, o suficiente para encher o tanque de 12 carros.

No início deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou esclarecimentos a Giordano. Em resposta ao PGR, Paulo Gonet, o senador argumentou que os pagamentos não foram destinados a um único abastecimento, mas sim a veículos relacionados ao seu mandato e a atividades parlamentares ao longo de 15 dias no estado.

A PGR avaliou que os gastos estavam dentro dos limites mensais permitidos para despesas com combustíveis nos gabinetes dos senadores, estabelecidos em R$ 15 mil por mês. Por essa razão, recomendou o arquivamento do caso em 18 de março.

No mês passado, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento de um processo contra o senador. No entanto, a investigação preliminar conduzida pela PGR não analisou o acúmulo de gastos com gasolina feitos pelo gabinete de Giordano em um período mais extenso.

Fonte: DCM

PL proíbe apoio de bolsonaristas a candidatos de outros partidos e monitora manifestações de seus membros em redes sociais

 Carta avisa que quem fizer campanha para membros de outros partidos ficará sujeito a processo ético-disciplinar


O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disparou um aviso para membros da legenda bolsonarista que ocupam cargos públicos. De olho no sucesso do partido nas eleições municipais deste ano, Valdemar avisou que o PL monitora manifestações de seus quadros nas redes sociais e ressaltou que “traições” não serão toleradas. De acordo com o texto, quem fizer campanha — clara ou velada — para membros de outros partidos, em localidades nas quais o PL tenha candidato, ficará sujeito a processo ético-disciplinar.


“Diversas mensagens de apoio estão sendo gravadas em prol de candidatos de outras agremiações partidárias, o que pode prejudicar candidatos do PL. Conforme prevê o nosso estatuto, ficará sujeito a instauração de procedimento ético disciplinar quem apoiar clara ou veladamente, candidato de outro partido em eleição na qual o PL tenha candidato”, diz um trecho da circular.


Todos os presidentes de diretórios estaduais do PL receberam o documento e foram incumbidos da responsabilidade de compartilhá-lo.


O PL tem planos de eleger ao menos mil prefeitos nas eleições deste ano. Em algumas cidades, porém, há resistências de alas dos diretórios locais em aceitar as escolhas do partido. A palavra final sobre cada um dos nomes pinçados caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem se engajado nas campanhas locais e viajado pelo Brasil, em eventos aos quais comparece acompanhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nas ocasiões, Bolsonaro pede votos para seus correligionários.


O ex-presidente, entretanto, ainda não tem previsão de voltar a participar desses eventos. Desde o início do mês, ele se recupera de uma crise de erisipela acompanhada de fortes dores abdominais. 


Fonte: Agenda do Poder com informações do GLOBO.