Para a ministra, Bolsonaro e seus aliados agiram “deliberadamente contra o país” ao tentar barrar a lei de reciprocidade em meio ao tarifaço dos EUA
Em uma manifestação incisiva publicada nas redes sociais nesta quinta-feira (3), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), saudou a união entre o governo Lula (PT), o Congresso Nacional e o setor empresarial diante do anúncio de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil. A ministra denunciou, no entanto, a postura da oposição bolsonarista, que tentou impedir a aprovação de uma legislação de defesa econômica. “A subserviência de Bolsonaro era um fato conhecido, mas nunca ficou tão claro que ele atua deliberadamente contra o país que governou e jurou defender”, escreveu.
As declarações foram motivadas pela nova investida do presidente norte-americano Donald Trump, que, em pronunciamento na Casa Branca na quarta-feira (2), anunciou a aplicação de tarifas “recíprocas” de 10% sobre produtos brasileiros. “Brasil. Dez por cento, dez por cento”, afirmou Trump enquanto exibia um cartaz com uma lista de países e os percentuais que os EUA passarão a cobrar. A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento comercial, que atinge com maior intensidade países como China (34%) e União Europeia (20%).
“Todos juntos pelo Brasil, exceto a turma de Jair Bolsonaro” - Na publicação, Gleisi ressaltou a articulação conjunta entre Executivo, Legislativo e entidades empresariais para reagir às ameaças externas. Segundo ela, esse alinhamento institucional é um momento raro na política brasileira. “O Brasil está vivendo um momento de rara unidade diante do tarifaço de Donald Trump, que desequilibra o comércio global e afeta as exportações do nosso país”, afirmou.
A ministra também destacou a aprovação da lei de reciprocidade, que permite ao Brasil reagir a medidas unilaterais que afetem seu comércio exterior. Gleisi denunciou que “a turma de Jair Bolsonaro” atuou para sabotar o projeto. “Eles tentaram impedir que a Câmara votasse a lei de reciprocidade, que permitirá dar respostas a medidas externas que prejudiquem o país”, escreveu.
Gleisi ainda criticou o argumento bolsonarista de que o Brasil deveria, na verdade, reduzir suas tarifas. “Ignoram que o maior déficit comercial do país é exatamente com os EUA, nosso segundo parceiro comercial”, rebateu. Para a ministra, tal posição revela uma submissão ideológica a Trump. “Nunca foi patriota. O Brasil e nosso povo são maiores que os interesses de Bolsonaro”, completou.
Trump endurece tom contra o comércio internacional - Em seu discurso na Casa Branca, Donald Trump justificou a nova rodada de tarifas com a retórica protecionista que marca seu segundo mandato. “Os EUA não podem continuar com a política de rendição econômica unilateral. Não podemos pagar o déficit de outros países. Nós pagamos por tudo, eles é que têm que pagar”, declarou. “Estamos defendendo o trabalhador americano”, completou.
Embora o Brasil esteja entre os países menos afetados pelas novas tarifas, a medida teve repercussão imediata em Brasília. O governo federal passou a tratar o tema como prioridade e buscou apoio parlamentar para viabilizar rapidamente uma resposta institucional. A lei de reciprocidade aprovada pelo Congresso é vista como o principal instrumento de defesa nacional diante das novas regras comerciais impostas por Washington
Fonte: Brasil 247
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