sábado, 5 de abril de 2025

Deputada do PT aciona MP contra Clube Militar por apologia ao golpe de 1964

 

A parlamentar Natália Bonavides. Foto: Divulgação

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) protocolou pedidos de investigação no Ministério Público Federal (MPF) e no Ministério Público Militar (MPM) contra o Clube Militar, no Rio de Janeiro, por possível apologia ao golpe militar de 1964.

O motivo foi um almoço comemorativo realizado na última semana para marcar os 61 anos do regime militar que governou o Brasil por 21 anos. O evento, promovido pelo Clube Militar com apoio do Clube Naval e do Clube da Aeronáutica, foi anunciado como uma celebração do “movimento democrático de 31 de março de 1964”.

A entrada custava R$ 100 e, segundo os organizadores, o objetivo era “comemorar esse evento histórico”. A cerimônia foi duramente criticada por setores democráticos e parlamentares, que a consideraram um ataque à memória das vítimas da ditadura.

Bonavides classificou a celebração como um ato de “comemoração de um atentado à democracia que resultou em assassinatos e desaparecimentos de brasileiros”. A deputada argumenta que a realização de eventos como esse representa uma tentativa de naturalizar intervenções militares na política, em especial após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Edifício do Ministério Público Federal. Foto: Divulgação

A parlamentar também acusa o clube de violar dispositivos legais que proíbem manifestações políticas por parte de militares da ativa ou da reserva. Apesar de ser uma entidade privada e sem fins lucrativos, o Clube Militar é historicamente composto por membros das Forças Armadas e, segundo Bonavides, “tem sido usado como instrumento para legitimar ideias golpistas”.

Nos documentos enviados ao MPF e ao MPM, ela aponta possíveis crimes como apologia ao golpe de Estado, incitação ao crime e à animosidade entre as Forças Armadas e os poderes civis. Procurado pela imprensa, o Clube Militar não respondeu aos questionamentos.

A denúncia surge em meio ao avanço das investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversos ex-ministros militares, incluindo Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier, além do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

Fonte: DCM

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