quinta-feira, 3 de abril de 2025

Brasil confirma primeiro caso de fungo resistente a tratamento

O caso foi identificado em Piracicaba, interior de São Paulo

            Fungo Candida auris (Foto: Centers For Disease Control and Prevention (CDC))

O Brasil registrou seu primeiro caso de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae, conhecido por sua resistência a tratamentos médicos. O caso foi identificado em Piracicaba, interior de São Paulo, e foi relatado na revista científica Anais Brasileiros de Dermatologia, conforme informações do g1.

O paciente é um homem de 40 anos, residente em Londres, Inglaterra, que havia visitado diversos países europeus, incluindo Áustria, Eslováquia, Hungria, Polônia, Escócia e Turquia, antes de retornar ao Brasil para visitar familiares. Durante sua estadia no país, procurou atendimento médico devido a uma micose persistente na região dos glúteos e das pernas, caracterizada por manchas vermelhas descamativas e pruriginosas, que não respondiam aos tratamentos habituais.

A dermatologista Renata Diniz, responsável pelo atendimento, percebeu a atipicidade do caso desde a primeira consulta. "Logo na primeira consulta eu já estranhei, porque era um paciente jovem, com muitas lesões grandes, disseminadas, e que não tinha respondido a tratamentos fúngicos que a gente usa de forma corriqueira. Então, ele já me acendeu um alerta, e aí optei por mudar o tratamento. Ele respondeu com o tratamento mas, logo que ele terminou de tratar, voltaram as lesões", explicou a especialista.

Diante da persistência da infecção, a médica consultou o dermatologista John Verrinder Veasey, coordenador do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e um dos autores do estudo. A suspeita recaiu sobre o Trichophyton indotineae, hipótese posteriormente confirmada por análises realizadas no Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP).

◎ Resistência aos antifúngicos desafia tratamentos

Apesar de não apresentar risco direto à vida, o Trichophyton indotineae preocupa os especialistas devido à sua resistência aos antifúngicos convencionais. "Ele é um fungo que se desenvolve na pele, não espalha para dentro do corpo, não vai levar a uma deterioração além das lesões cutâneas. O grande problema dele é essa questão da resistência ao tratamento. De forma geral, ele apresenta essa resistência ao principal antifúngico que a gente usa e ele responde a um outro antifúngico. Mas ele volta a crescer quando para de tratar", alerta Diniz.

Como os antifúngicos eficazes contra o Trichophyton indotineae possuem efeitos colaterais significativos, seu uso prolongado não é recomendado. Assim, além da medicação, o tratamento também envolve o fortalecimento da imunidade do paciente e a adoção de medidas para evitar umidade excessiva na pele, ambiente propício para a proliferação do fungo.

◎ Como ocorre a transmissão

O contágio ocorre pelo contato direto com pessoas infectadas ou objetos contaminados. "Por exemplo, eu tenho fungo nas mãos, eu lavo a minha mão numa toalha, você vai e lava a sua mão depois na mesma toalha [...] Ou pele com pele. É por contato", esclarece a dermatologista.

A disseminação do fungo pode impactar a qualidade de vida dos pacientes e aumentar os riscos de transmissão para outras pessoas. "Ele tem um impacto do ponto de vista social, de relações, pela transmissão. Porque tendo um fungo que não tem um tratamento efetivo garantido, existe esse perigo de transmitir para cada vez mais pessoas um fungo para o qual, por enquanto, não se tem tratamento", ressalta Diniz.

◎ Medidas de prevenção

Para evitar a contaminação, é essencial adotar hábitos de higiene, principalmente no compartilhamento de itens pessoais. "Uma coisa é você estar dentro de casa, saber que tá todo mundo ali saudável, mas não usar toalhas em locais públicos. Tem sempre um cuidado de onde você está em contato, áreas de maior risco. Fala-se muito de piscinas, sobre os cuidados de vestiário, que são ambientes úmedos, quentes, e que muitas pessoas circulam".

Além disso, a identificação precoce é fundamental para impedir a disseminação do fungo. "Então, viu ali uma manchinha vermelha que coça, procura o dermatologista", recomenda a especialista.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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