Para os líderes do PL, é necessário que Bolsonaro mantenha a mobilização da base eleitoral e reaja ao avanço de novas lideranças no campo da direita
Após se tornar réu sob a acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022, Jair Bolsonaro (PL) vai intensificar sua agenda de viagens pelo Brasil em busca de manter seu protagonismo no campo da direita. A movimentação, segundo o jornal O Globo, tem início nesta semana, em meio ao processo que pode comprometer sua presença nas eleições de 2026, bem como da sua liderança no campo da direita e extrema direita.
Bolsonaro estará nesta quinta-feira (4) no Paraná, onde se encontrará com lideranças políticas locais. Na sexta (5), segue para São Paulo, onde permanecerá até sábado, dia em que participará de um ato na Avenida Paulista. Em seguida, acompanhará o senador Rogério Marinho (PL) em compromissos no Rio Grande do Norte, nos dias 10 e 11 de abril.
Segundo dirigentes do Partido Liberal, essas agendas — com exceção da mobilização em São Paulo, que já estava prevista — foram antecipadas em resposta à decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que o tornou réu por tentativa de golpe. Para os líderes do PL, é urgente que Bolsonaro mantenha a mobilização da base eleitoral e reaja ao avanço de novas lideranças conservadoras que ameaçam ocupar o seu espaço político.
O plano inclui uma série de visitas a municípios com grande densidade populacional em pelo menos oito estados brasileiros. A proposta é reforçar a imagem de Bolsonaro ao lado de prefeitos e governadores aliados, destacando supostos feitos de sua gestão presidencial, com foco especial nas regiões onde perdeu força eleitoral. O Nordeste, segundo o próprio site do PL, é prioridade. A expectativa é que o ex-mandatário dedique uma semana a cada região do país até o final do semestre.
Além de tentar deslegitimar o STF com discursos de “perseguição política”, Bolsonaro pretende explorar a recente queda nos índices de aprovação do presidente Lula (PT) como trunfo discursivo. A tática já vinha sendo planejada, mas será acelerada devido às denúncias que enfrenta.
A ação penal em curso no Supremo pode mudar os rumos da direita brasileira. Pela primeira vez na história do país, um ex-mandatário será julgado por conspirar contra as instituições democráticas. A pena, caso condenado, pode chegar a 43 anos de prisão. O julgamento ameaça não apenas sua liberdade, mas também sua influência na sucessão presidencial.
Em pronunciamento à imprensa após ter se tornado réu, Bolsonaro afirmou que a denúncia era “grave e infundada”, atribuindo o processo à “criatividade de alguns”. Repetindo ataques ao sistema eleitoral, uma das práticas descritas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na denúncia, ele voltou a defender o voto impresso e acusou o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte - de “esconder” a motivação de torná-lo réu.
O STF ainda deve analisar outras quatro denúncias relacionadas à tentativa de golpe. Ao todo, 34 pessoas foram acusadas pela PGR por atentado às instituições democráticas. A próxima fase do julgamento, marcada para os dias 8 e 9 de abril, envolve o chamado núcleo de “ações táticas”, composto por militares de baixa patente que teriam participado dos atos golpistas.
Fonte>: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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