Cúpula Nutrição para o Crescimento inclui governos, filantropias e o setor privado, e visa mobilizar recursos para o combate à fome e a má nutrição no mundo
Lúcia Müzell, RFI - Paris acolhe nesta quinta e sexta-feiras (27 e 28) mais uma edição da cúpula Nutrição para o Crescimento (N4G), realizada desde 2013 nas cidades-sede dos Jogos Olímpicos. O governo brasileiro é representado pela primeira-dama Janja Lula da Silva, enviada pelo presidente Lula para o evento.
A cúpula inclui governos, filantropias e o setor privado, e visa mobilizar recursos para o combate à fome e a má nutrição no mundo, em especial nos países mais carentes. Janja discursou como convidada de honra na abertura dos painéis, inaugurados pelo primeiro-ministro francês, François Bayrou.
"Eu quero iniciar lembrando que, ao final deste evento, milhares de crianças terão morrido ao redor do mundo por falta de alimentos, pela fome e má nutrição”, disse Janja, ao lembrar que afeta 200 milhões de crianças são afetadas.
No centro de conferências do Ministério das Relações Exteriores da França, no 15° distrito da capital francesa, a primeira-dama salientou as políticas públicas de segurança alimentar e proteção social dos governos Lula e Dilma Rousseff, como Bolsa Família, e a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, promovida por Brasília. Ela pediu “um mundo com menos armas e mais alimentos”, e ressaltou ter atendido a um convite do presidente francês, Emmanuel Macron.
"Em um cenário global de redução drástica e constante de fundos para a cooperação humanitária e desenvolvimento, da qual centenas de iniciativas e projetos de apoio às populações mais carentes são dependentes, é urgente aprofundarmos o entendimento e ampliarmos o investimento em ações estruturantes, para que consigamos cumprir os compromissos que assumimos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1, da erradicação da pobreza, e o 2, o Fome Zero”, afirmou, em seu discurso.
Representantes dos ministérios brasileiros das Relações Exteriores, do Desenvolvimento Social, Assistência, Família e Combate à Fome, da Saúde e da Educação também participam da cúpula.
◎ Almoço com Brigitte Macron - Janja será recebida para um almoço oferecido pela primeira-dama francesa, Brigitte Macron. À tarde, participará de uma recepção para as autoridades estrangeiras que vieram a Paris. A maior delas é o rei africano do Lesoto, Letsie III.
Também marcam presença o vice-presidente da Costa do Marfim, Tiemoko Meyliet Koné, copresidente do evento, ministros de cerca de 75 países convidados e representantes de organizações internacionais como Banco Mundial, Programa Alimentar Mundial e Unicef.
Na sexta, a primeira-dama brasileira é esperada em um evento paralelo da cúpula, organizado pelo Brasil na sua embaixada na capital francesa.
◎ Aportes financeiros contra a fome em queda - Em 2022, 3 bilhões de pessoas eram afetadas no planeta por uma das três formas de má-nutrição: desnutrição, carência alimentar e sobrepeso ou obesidade. O Banco Mundial estima que seria necessário destinar US$ 13 bilhões por ano para o combate à má-nutrição, principal causa de mortalidade infantil no mundo.
No contexto geopolítico delicado atual, com o aumento dos recursos destinados à defesa em diversos países, a meta de Paris é avançar na mobilização de um fundo anual que se aproxime deste valor. Na última N4G, no Japão, um recorde de US$ 27 bilhões em quatro anos foram recolhidos.
A própria França, na linha de frente no apoio à Ucrânia contra a invasão russa, encontra-se em uma posição delicada para aumentar os seus aportes. Conforme apurou o jornal Le Monde, Paris deve disponibilizar € 1,2 bilhão – o valor, porém, não deve significar uma alta da sua contribuição, mas sim um redirecionamento de recursos já orçados pelo país anfitrião.
Outra barreira importante para este objetivo é o fim da ajuda humanitária dos Estados Unidos para os países em desenvolvimento. Esta é a primeira vez que a cúpula acontece neste cenário, que dizimou o apoio a programas de combate à desnutrição nos países mais vulneráveis.
Fonte: Brasil 247 com RFI
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