Produção da vacina terá capacidade inicial de 60 milhões de doses anuais. Governo avança na fabricação de insulina, imunizante contra gripe aviária e VSR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação | Marcello Casal Jr./ABR | REUTERS/Athit Perawongmetha)
O presidente Lula (PT) anuncia nesta terça-feira (25) a produção em larga escala da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue. O evento, realizado no Palácio do Planalto, conta com a presença da ministra da Saúde, Nísia Trindade, e de outras autoridades do governo e do setor de saúde. A iniciativa visa ampliar a autonomia do Brasil na produção de imunizantes e fortalecer a indústria nacional, garantindo maior acesso da população a tecnologias de prevenção de doenças.
O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa WuXi Biologics, faz parte do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) do Ministério da Saúde, aprovado e em fase final de desenvolvimento tecnológico. A partir de 2026, serão disponibilizadas 60 milhões de doses anuais, com possibilidade de ampliação. O objetivo é atender a população elegível pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) entre 2026 e 2027.
O projeto conta com apoio do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que viabiliza investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para pesquisas clínicas, e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na análise do pedido de registro do imunizante, destinado a pessoas entre dois e 59 anos. O governo federal reforça que o investimento total na parceria é de R$ 1,26 bilhão, viabilizado pelo Novo PAC, com o Instituto Butantan sendo um dos principais beneficiários. Além disso, estão previstos R$ 68 milhões para estudos clínicos que avaliem a coadministração com a vacina contra chikungunya e ampliação da faixa etária atendida.
Prevenção segue essencial - Até que a vacina esteja amplamente disponível, o governo enfatiza a importância de medidas de prevenção, como vigilância epidemiológica e controle do mosquito Aedes aegypti. Além da vacina, o país tem apostado no método Wolbachia e nas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDL) como estratégias complementares para o combate à dengue.
Novas parcerias na saúde - Durante o evento “SUS como alavanca da inovação e produção em saúde”, o governo também anuncia outras três parcerias estratégicas para a produção nacional de insulina, de uma vacina contra a gripe aviária e de um imunizante contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
A insulina Glargina será fabricada no Brasil como parte do Programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Ministério da Saúde. O projeto prevê a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) pela Fiocruz (Unidade Bio-Manguinhos), enquanto a Biomm será responsável pela fabricação do produto final. A produção ocorrerá na unidade da Fiocruz em Eusébio (CE), fortalecendo a indústria nacional e incentivando o desenvolvimento regional. O primeiro fornecimento está previsto para o segundo semestre de 2025, com expectativa de atingir 70 milhões de unidades anuais ao fim do projeto.
Já a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por infecções respiratórias graves, será produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a Pfizer. A previsão é de que sejam fabricadas até 8 milhões de doses anuais, com ampliação do público-alvo para incluir idosos. Com um investimento de R$ 1,26 bilhão até 2027, a expectativa é evitar cerca de 28 mil internações por complicações da doença anualmente. O fornecimento para o SUS deve começar no segundo semestre de 2025.
Resposta rápida contra a gripe aviária - Outro destaque das parcerias anunciadas é a fabricação da vacina contra o vírus Influenza H5N8, que garante que o Brasil esteja preparado para emergências sanitárias futuras. A parceria assegura um estoque estratégico, fortalecendo a resposta rápida e permitindo ajustes na formulação conforme a evolução do patógeno. A capacidade de produção anual é de mais de 30 milhões de doses, colocando o país na vanguarda do combate às doenças respiratórias globais.
Fonte: Brasil 247
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