quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

"Caguei para prisão", diz Bolsonaro, denunciado por tentativa de golpe

Ex-mandatário adota tom de desafio diante da acusação de liderar trama golpista e, inelegível, insiste em candidatura para 2026

     Jair Bolsonaro e presídio da Papuda (Foto: Reuters | Reprodução)

Jair Bolsonaro (PL) reagiu nesta quinta-feira (20) à denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusa de liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022. Durante o Primeiro Seminário de Comunicação do PL, realizado em Brasília, o ex-presidente minimizou a possibilidade de ser preso e declarou: "o tempo todo [é] 'vamos prender o Bolsonaro'. Caguei para a prisão", disse o ex-mandatário, de acordo com a Folha de S.Paulo.

A denúncia da PGR, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, aponta Bolsonaro e outros 33 investigados por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e participação em organização criminosa. Somadas, as penas ultrapassam 30 anos de prisão.

Seguindo essa linha, Bolsonaro voltou a negar qualquer participação em uma tentativa de golpe e atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que "não há liberdade de expressão no Brasil". Ele também ironizou as acusações, chamando os eventos de "golpe da Disney", em referência ao fato de estar em Orlando, nos Estados Unidos, durante os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Ainda segundo a reportagem, a defesa de Bolsonaro manterá a estratégia de insistir em sua candidatura à Presidência em 2026. O objetivo é reforçar sua liderança na direita e criar pressão política interna e internacional para evitar sua prisão e tentar reverter sua inelegibilidade, que permanece válida até 2030.

A cúpula do STF, liderada por Alexandre de Moraes, pretende realizar o julgamento do ex-mandatário ainda em 2025, evitando impactos nas eleições de 2026. Na quarta-feira (19), Moraes determinou a quebra do sigilo dos depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A delação de Cid trouxe novos elementos à investigação, expondo detalhes da trama golpista e aprofundando as suspeitas sobre a participação de Bolsonaro e seus aliados no caso.

Diante do avanço das investigações e do risco de prisão, Bolsonaro vem tentando manter sua base mobilizada, mas tem enfrentado dificuldades para consolidar alianças no campo da direita. O ex-mandatário busca levar sua candidatura até o último momento, temendo que uma substituição precoce enfraqueça sua influência e reduza sua capacidade de articulação.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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