A defesa diz ter mais chances para livrar o ex-mandatário da prisão se todos os ministros do Supremo votarem. Alexandre de Moraes é o relator do inquérito
Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (24) que “não tem motivo” para ser preso e defendeu que o seu julgamento no Supremo Tribunal Federal na investigação do plano golpista ocorra em plenário, onde todos os ministros votam, e a defesa acredita ter mais chances para livrar o ex-mandatário da prisão. No STF, o relator do inquérito dessa investigação é o ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o político da extrema-direita e mais de 33 pessoas no inquérito.
“Não tem motivo para prisão. Mais uma arbitrariedade. Alguns dizem que estou pensando em fugir. Eu estive nos Estados Unidos durante três meses, podia ter ficado lá, tinha oferta para trabalhar por lá. E vim pra cá buscar realmente meu espaço político para 26. Eleições de 2026 sem meu nome é negação da democracia”, afirmou Jair Bolsonaro em entrevista à rádio CBN Recife.
“O tempo todo ameaça de prisão, é um prosseguimento da narrativa do golpe. A prisão ninguém gosta dela. Essa possível prisão, se ocorrer, será por arbitrariedade”, complementou.
◉ Investigações
Um novo áudio divulgado pela Polícia Federal apontou que o general da reserva Mário Fernandes discutiu possíveis datas para um golpe de Estado com Bolsonaro. O militar está entre os denunciados pela PGR.
Denunciado no inquérito, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que Fabio Wajngarten, advogado e assessor de Bolsonaro, tentou descobrir o conteúdo de seu acordo de delação premiada.
Pelo conteúdo identificado por investigadores na colaboração premiada, Bolsonaro apresentou uma minuta de golpe ao comandante de Operações Terrestres do Exército, general Estevam Teophilo, durante uma reunião em Brasília.
O tenente disse que Bolsonaro nunca desmobilizou os manifestantes que estavam nas ruas e nas portas dos quartéis do Exército após as eleições de 2022. De acordo com a delação, o ex-mandatário também "encaminhava diretamente" ao gabinete do ódio alguns ataques a ministros do STF.
Também na colaboração premiada, o militar afirmou que Bolsonaro ordenou que ele colocasse dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde.
Conforme o ex-ajudante de Bolsonaro, aliados do governo dele distorceram a interpretação do artigo 142 da Constituição Federal para justificar uma tentativa de golpe de Estado.
O artigo 142 prevê que "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".
A delação também implicou Michelle Bolsonaro, que teria tentado convencer Bolsonaro a dar um golpe de Estado.
Fonte: Brasil 247
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