quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Lindbergh: 'se o Copom aumentar os juros, vai ser um duro golpe na economia brasileira'

 

De acordo com o parlamentar, uma possível alta da Selic pode comprometer o equilíbrio fiscal

Lindbergh Farias (Foto: Divulgação)

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) sinalizou nesta quarta-feira (18) que representantes do mercado não deveriam apoiar um eventual aumento na taxa de juros, atualmente em 10,50%. De acordo com o parlamentar, uma possível alta da Selic pode comprometer o equilíbrio fiscal. O Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao Banco Central, anuncia o percentual ainda nesta quarta.

"Não é aceitável que o BC aumente os juros no dia de hoje. É um duro golpe contra o Brasil e a nossa economia. Qualquer aumento terá impacto bilionário no fiscal, justo essa turma que vive pedindo arrocho? Pros banqueiros pode tudo?", questionou o deputado na rede social bluesky.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vem sendo alertado por aliados do governo Lula para baixar com mais velocidade a taxa de juros, para facilitar o crédito e o poder de compra da população.

Um dos argumentos de Campos Neto é que os juros não podem baixar por causa da inflação - quando a Selic aumenta, o crédito fica mais caro, e, por consequência, os preços diminuem ou ficam estagnados. No contexto atual, os números oficiais já apontam queda no custo dos produtos.

A inflação desacelerou para todas as classes de renda em agosto na comparação com julho deste ano. Para as famílias de renda muito baixa, ela recuou de 0,09% para -0,19% no mês passado. Para as famílias de renda alta, que registraram aumento de 0,80% em julho, o resultado de agosto ficou em 0,13%. Os dados são do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Todas as classes de renda apresentaram desaceleração da inflação acumulada em 12 meses. As famílias de renda muito baixa tiveram a menor inflação acumulada no período (3,72%), enquanto a faixa de renda alta anotou o percentual mais elevado (4,97%).

Os grupos alimentos e bebidas e habitação foram os principais pontos que influenciaram a queda inflacionária para praticamente todos os segmentos de renda. As deflações registradas em setores importantes - cereais (-1,3%), tubérculos (-16,3%), hortaliças (-4,5%), aves e ovos (-0,59%), leites e derivados (-0,05%) e panificados (-0,11%) - provocaram um forte alívio inflacionário, especialmente para as famílias de menor poder aquisitivo, visto que a parcela proporcionalmente maior do seu orçamento é gasta com a compra desses bens.

Energia elétrica

Em relação à habitação, a queda de 2,8% nos preços de energia elétrica – refletindo o retorno da bandeira tarifária verde e das reduções tarifárias em algumas capitais – contribuiu para diminuir a inflação em agosto.

No caso das famílias de renda alta, mesmo com a deflação dos alimentos, da energia e a queda de 4,9% nos preços de passagens aéreas, o reajuste de 0,76% das mensalidades escolares fez com que o grupo educação exercesse forte contribuição para a inflação dessa classe.

O aumento dos planos de saúde (0,61%), dos serviços médicos e dentários (0,72%) e das despesas pessoais (0,25%) também ajuda a explicar esse quadro de pressão inflacionária nos segmentos de renda mais elevada, em agosto.

“A desaceleração da inflação corrente em relação ao registrado em agosto do ano passado é explicada, em grande parte, pela melhora no desempenho dos grupos habitação e saúde e cuidados pessoais. No primeiro caso, a alta no preço da energia elétrica em 2023 (4,6%) ficou bem acima da queda apontada em 2024 (2,8%). Já para o grupo saúde e cuidados pessoais, o alívio inflacionário em agosto deste ano veio da deflação de 0,18% dos artigos de higiene, que contrasta com os reajustes de 0,81%, em agosto de 2023”, diz o Ipea 

Fonte: Brasil 247 com informações da Agência Brasil

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