Vini Jr. e Kylian Mbappé marcam gols contra o racismo e o avanço do neofascismo
Futura dupla de ataque do Real Madrid, Vini Jr. e Kylian Mbappé
já mostram entrosamento fora de campo. Antes mesmo de estrearem juntos com a
camisa merengue, marcam gols contra o racismo e o avanço do neofascismo. Neste
domingo, o jogador francês fez um importante chamado político contra a
extrema-direita, que ameaça vencer as eleições parlamentares na França,
marcadas para os dias 30 de junho e 7 de julho.
“Estamos num momento crucial na história do país. Estamos
numa situação sem precedentes”, alertou. E se posicionou: “Espero que minha voz
seja transmitida o máximo possível. Precisamos nos identificar com valores de
tolerância, respeito e diversidade. Cada voz conta”, disse o jogador, que é uma
das estrelas da França na Eurocopa 2024. Aos 25 anos e capitão da seleção
francesa, Mbappé é uma das vozes mais influentes de seu país, principalmente
entre os jovens.
No início do mês, o craque e campeão mundial em 2018 foi
contratado pelo Real Madrid. O atacante, que durante muito tempo jogou ao lado
de outro brasileiro no PSG, o bolsonarista Neymar, agora atuará ao lado de
outro brasileiro, Vini Jr., considerado atualmente o melhor jogador no futebol
europeu e favorito a ganhar a Bola de Ouro. O posicionamento de Mbappé se soma
à luta que Vini Jr. tem travado contra o racismo na Espanha e no mundo. Do
outro lado do Atlântico, ele se prepara para estrear na Copa América pela
Seleção Brasileira.
Há anos, o craque brasileiro é alvo de xingamentos
racistas e supremacistas de torcidas adversárias nos estádios espanhóis. Ao
contrário de muitos jogadores, Vini Jr. comprou a briga, se indispôs inclusive
com o presidente da La Liga e processou seus agressores. Um posicionamento
corajoso para um jogador estrangeiro num país que assiste ao crescimento do
racismo e da xenofobia. No último dia 10, três torcedores do Valencia foram
condenados a oito meses de prisão pelos insultos racistas.
Pelas redes sociais, o jogador brasileiro reiterou sua vontade
de seguir na linha de frente: “Muitos pediram para que eu ignorasse, outros
tantos disseram que minha luta era em vão e que eu deveria apenas ‘jogar
futebol’. Mas, como sempre disse, não sou vítima de racismo. Eu sou algoz de
racistas. Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim.
É por todos os pretos”, ressaltou. “Todos os pretos”, como disse Vini. Jr.
incluindo Mbappé e seu colega de seleção francesa, Marcus Thuram.
No último sábado, Thuram puxou o coro contra a ameaça da
extrema-direita na França: “A situação é muito, muito grave. Soube disso
(resultado das europeias) depois do jogo contra o Canadá. Ficamos todos um
pouco chocados. Como cidadãos, sejam vocês ou eu, devemos lutar diariamente
para que isto não volte a acontecer e que o RN não passe”. Marcus Thuram é o
filho mais velho de Lilian Thuram, campeão mundial em 1998 e conhecido por ser
voz ativa contra o racismo.
A França passa por um momento tenso após
o presidente Emmanuel Macron decidir dissolver a Assembleia Nacional e
antecipar as eleições legislativas por conta da vitória da extrema-direita nas
eleições europeias. O partido Reagrupamento Nacional (RN), de Marine Le Pen, é
favorito para formar um novo governo. Símbolos de resistência e exemplos de
cidadania, os três jogadores pretos levantam a voz contra o racismo, marcando
posição firme contra o perigo do avanço de governos extremistas em um momento
crucial da história.
Fonte: Brasil 247
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