Os dados foram obtidos a partir de uma análise do percurso escolar da população nascida entre os anos 2000 e 2005, atualmente com idades entre 19 e 24 anos

Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação Itaú lançou luz sobre a situação educacional no Brasil, revelando que apenas um pouco mais da metade dos estudantes brasileiros concluem o ensino fundamental na idade adequada, ou seja, até os 15 anos. Segundo o estudo, 48% dos alunos enfrentam intercorrências como reprovação, evasão ou abandono escolar, impedindo-os de seguir a trajetória regular nessa etapa da educação.
Os dados foram obtidos a partir de uma análise do percurso escolar da população nascida entre os anos 2000 e 2005, atualmente com idades entre 19 e 24 anos, no intervalo de 2007 a 2019. O estudo, baseado em informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), foi divulgado na manhã desta segunda-feira (18).
Denominado como “indicador de regularidade de trajetórias educacionais”, o estudo revela que a conclusão irregular da educação básica é uma realidade generalizada em todo o país, afetando de forma mais significativa os alunos mais vulneráveis, como os de baixa renda, com deficiência, indígenas, negros e do sexo masculino.
Segundo o indicador, uma trajetória educacional regular compreende a conclusão do ensino fundamental em nove anos e de toda a educação básica em 12 anos, englobando os três anos do ensino médio. Entretanto, a pesquisa revela que 48% dos alunos não conseguiram completar o ensino fundamental dentro do prazo esperado, e 59% não finalizaram o ensino médio na idade correta.
Os especialistas envolvidos na elaboração do indicador destacam a importância desses dados para evidenciar que os problemas educacionais no Brasil surgem já nos primeiros anos escolares, especialmente nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano). No entanto, ressaltam a ausência de políticas públicas nacionais para enfrentar esses desafios nessa etapa.
Uma das questões apontadas como desafio é a distribuição das matrículas nas redes de ensino. Atualmente, metade das vagas na rede pública estão sob responsabilidade dos municípios, e a outra metade, com os estados. Essa divisão menos clara dificulta a gestão, especialmente nos anos finais do ensino fundamental, uma fase crucial na transição da vida escolar dos alunos.
Diante desse cenário complexo, Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, enfatiza a importância de políticas de transição entre as etapas educacionais e a necessidade de uma gestão mais eficiente para enfrentar os desafios educacionais no país.
Fonte: Agenda do Poder com informações da Folha de S.Paulo
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