Depoimentos dos ex-comandantes da Aeronáutica e do Exército colocaram o ex-ministro no centro da trama golpista
Os depoimentos dos
ex-comandantes da Aeronáutica e do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes
e o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Júnior, respectivamente, trouxeram
detalhes sobre os bastidores da trama golpista que ajudaram a complicar a
situação de Jair Bolsonaro (PL), mas, para a Polícia Federal, o alvo que mais
interessa agora não é o ex-presidente. O foco, segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar,
de O Globo, está dirigido ao general Walter Braga Neto, que foi candidato a
vice na chapa encabeçada pelo ex-mandatário.
Os investigadores consideram que a atuação de Bolsonaro no
caso está esclarecida, mas há indícios de que Braga Neto desempenhou um papel
fundamental na coordenação, mobilização e captação de recursos para os ataques
que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília,
no dia 8 de janeiro do ano passado.
Segundo a reportagem, embora o inquérito que investiga a trama
golpista não deva esclarecer completamente o roteiro do 8 de janeiro, incluindo
planejamento, liderança e financiamento, vários elementos serão transferidos
para outro inquérito relacionado às milícias digitais, conduzido pelo ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Uma troca de mensagens datada de 27 de dezembro de 2022,
entre Braga Neto e um assessor de Bolsonaro, Sérgio Rocha Cordeiro, levantou
suspeitas. Nessa comunicação, Braga Neto é questionado sobre o envio do
currículo de uma mulher para um cargo no governo. “Faltavam três dias para a
posse de Lula, que já tinha sido inclusive diplomado pelo Tribunal Superior
Eleitoral, mas Braga Netto respondeu: "’se continuarmos, poderia enviar
para a Sec. Geral. Fora isso vai ser foda’”.
Ainda conforme a reportagem, “para a PF, a mensagem é um sinal
de que " os investigados ainda estavam empreendendo esforços para tentar
um Golpe de Estado e acreditavam na consumação do ato, impedindo a posse do
governo legitimamente eleito".
Além disso, evidências sugerem que Braga Neto estava
envolvido na coordenação das milícias digitais, responsáveis por mobilizar
apoiadores de Bolsonaro para os eventos que culminaram no dia 8 de janeiro. A
PF observa que, após a perda de gabinetes na Esplanada dos Ministérios, os
líderes golpistas se tornaram mais dependentes das redes de mensagens, como
WhatsApp e Telegram.
Outros indícios, ainda não divulgados,
estão sendo investigados, incluindo informações contidas no computador
apreendido de Braga Neto na sede do PL. A PF espera encontrar evidências de que
o general, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, também estava envolvido na
captação de recursos para o golpe.
Fonte: Brasil 247 com informações da coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo
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