Duramente reprimida, onda de manifestações resultou
em 19 mortos, 2,8 mil detidos e 295 feridos por armas de fogo
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Praça Itália tomada por manifestantes nesta sexta-feira (25) / AFP |
Santiago, capital
do Chile, assistiu na tarde desta sexta-feira (25) à maior manifestação de rua
desde o fim da ditadura militar, em 1990: mais de um milhão de pessoas se
reuniram na Praça Itália, região central, em um ato que é considerado
o ápice da onda de protestos contra o neoliberalismo, iniciada na última
semana.
As
manifestações começaram há oito dias, com o anúncio de um aumento de cerca
de 20 centavos nas passagens de metrô. A revolta foi tão grande que o
presidente Sebastián Piñera voltou atrás, mas os protestos
continuaram, e com uma pauta mais ampla. Os objetos de reclamação passaram
a ser o alto preço dos serviços básicos, de modo geral, privatizados, e a
violência policial – um dos legados da ditadura de Augusto Pinochet
(1973-1990).
Analistas
políticos apontam que essa série de protestos expôs a ferida
da desigualdade social no Chile, muitas vezes oculta sob a propaganda
de eficiência do Estado e de estabilidade econômica. Os
manifestantes reclamam do alto custo de vida, dos baixos salários e
aposentadorias, além de questionar a dificuldade de acesso aos sistemas de
saúde e educação.
Duramente
reprimida pelos carabineros --
polícia militar chilena – e pelo Exército, a onda de protestos resultou em
19 mortos, 2,8 mil detidos e 295 feridos por armas de fogo.
Dia agitado
As
estradas que dão acesso a Santiago amanheceram tomadas por
caminhoneiros, taxistas, motoristas de carros particulares e motociclistas em
protesto contra o aumento dos pedágios. Anualmente, as concessionárias
reajustam o preço do pedágio devido à fórmula prevista nos contratos, que prevê
um fixo de 3,5% mais a inflação acumulada. Isso possibilitou que as operadoras
das rodovias da região metropolitana de Santiago aumentassem o valor em
6,4%.
O
TAG-Televia, sistema de pedágio usado no Chile, é semelhante ao Sem Parar, de
São Paulo, em que o motorista pode passar pela praça e tem descontado
o valor correspondente de maneira automática. A diferença, no Chile, é que o
preço varia de acordo com o movimento da estrada e o momento do dia.
A 130
km dali, em Valparaíso, cidade portuária, os carabineros reprimiram
pela manhã, com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água, uma manifestação em
torno do Congresso Nacional. Um grupo de cerca de 25 manifestantes conseguiu
atravessar as grades do edifício, mas foi detido ainda nos jardins do
Parlamento e não entrou no prédio.
Os
parlamentares foram evacuados por precaução.
Diante
da magnitude do protesto da Praça Itália e considerando os altos índices de
violência policial, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atualmente
alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, disse que enviará na
próxima segunda-feira (28) uma missão de verificação para acompanhar os
conflitos no país e examinar denúncias de violações dos direitos humanos.
* Com informações de La Tercera,
Agência Brasil e Opera Mundi.
Edição:
Daniel Giovanaz
Fonte: Brasil de
Fato
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