Segundo
Leandro Demori, editor executivo do Intercept Brasil, "a ONU está
preocupada com os ataques que o Intercept Brasil vem sofrendo e escreveu ao
governo brasileiro sobre a urgência de garantir nossa proteção, punir os
responsáveis pelas ameaças e prevenir uma possível tragédia"
Jornalistas Leandro Demori e Glenn Greenwald, do Intercept Brasil. |
247 - Segundo
Leandro Demori, editor executivo do Intercept Brasil, "a ONU está
preocupada com os ataques que o Intercept Brasil vem sofrendo e escreveu ao
governo brasileiro sobre a urgência de garantir nossa proteção, punir os
responsáveis pelas ameaças e prevenir uma possível tragédia", escreveu nesta
quarta-feira (4).
Demori conta que na terça-feira (3), o
jornalista Jamil Chade divulgou uma carta enviada ao Itamaraty pelo relator das
Nações Unidas para a proteção do direito à liberdade de opinião, David Kaye,
mas que "o governo Bolsonaro não deu a menor bola".
"Recebemos
essa notícia na redação com muita preocupação, mas ao mesmo tempo agradecidos
por saber que as autoridades internacionais estão de olho no que acontece por
aqui (...). Kaye escreveu ao governo brasileiro para comunicar que tomou
conhecimento de uma série de ameaças contra o Intercept Brasil após as
primeiras publicações da #VazaJato. Por esta razão, o relator se disse
profundamente preocupado com a minha segurança e a de Glenn Greenwald,
cofundador e colunista do Intercept, de sua família e dos demais membros da
nossa redação", relatou Demori.
Kaye escreveu que "se os fatos
alegados estiverem corretos, constituem uma clara violação dos artigos 19 e 2
do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é
signatário desde de 24 de janeiro de 1992. Manifesto, sobretudo, minha
preocupação com a hostilidade de membros do Senado e do governos contra as
pessoas mencionadas em reação às revelações feitas por elas".
Demori conta que desde o início da série
de reportagens da #VazaJato, em junho de 2019, ele e equipe do Intercept foram
"obrigados a tomar novas medidas de cautela e investir pesado em nossa
segurança física e digital. É uma tristeza que isso seja necessário, mas
sabemos que Brasil é um dos países mais perigosos no mundo para jornalistas.
Aqui, a verdade mata. E desde que o governo atual decidiu enquadrar a imprensa
— e a Constituição Federal — entre seus principais inimigos, este cenário
apenas piorou".
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